Hoje decidi falar um pouco sobre minha época de faculdade. Mas não da faculdade em sí. Gostaria de explicar porque eu acho importante o período em que trabalhei na Empresa Júnior faculdade. Quero explicar a importância das Empresas Juniores e qual o sentido de participar do movimento.

Antes de mais nada preciso vou contextualizar o que estou falando. Estudei engenharia na Universidade Federal de São Carlos e lá, assim como vários colegas da minha classe, fundamos a EDIFICar Jr, em 2006. Aqui, não quero falar sobre como foi a o processo de fundação, nem me vangloriar sobre isso. O que acho mais interessante de tudo foi o aprendizado absorvido. Muito menos com os projetos desenvolvidos e mais com o desenvolvimento de liderança e gestão de pessoas. Vou separar em tópicos para facilitar minhas idéias:

  • Quando eu participei da minha primeira reunião, ainda para discutirmos a idéia, o que seria essa empresa, como funciona uma empresa júnior, eu tremia. Não gostava de participar de reuniões onde eu tinha que dar minha opinião, o que eu fosse notado. Apesar de ser uma sala de aula, as cadeiras estavam em círculo, o que fazia com que eu não pudesse me esconder. Era questão de tempo e meu maior medo aconteceria a qualquer momento: pediram para eu falar. Não me lembro nem o que era, provavelmente alguma coisa da qual eu precisaria responder sim ou não. Mas lembro que a resposta foi quase inaudível, rápida e seca. Eu fazia de tudo para me esconder deste tipo de situação. Me lembro que, nas reuniões seguintes, tivemos que opinar sobre o nome, sobre quais seriam os objetivos, etc… Foi então que eu percebi que teria que mudar. Obviamente que não aconteceu de um dia para outro mas quem trabalhou comigo na EDIFICar Jr sabe muito bem que eu evoluí muito nos 3 anos que fiquei nela. E é isso que eu gostaria de mostrar. Participar de uma EJ vai muito além de simplesmente começar a trabalhar na área. Chega um momento em que você tem que interagir com as pessoas nas reuniões e isso vai te preparar para o futuro. Depois de anos, ao trabalhar em obra, comecei a ter que apresentar relatórios na sala da diretoria. Comecei a ter que discordar do ponto de vista de gerentes e coordenadores que trabalhavam comigo ou em áreas relacionadas a minha. E fiz isso com muito mais naturalidade uma vez que eu fui me condicionando a isso com a experiencia da EJ.
  • O desenvolvimento de liderança é algo que me chama a atenção também dentro de uma Empresa Júnior. Logo que criamos a empresa, comecei no departamento de projetos, apenas como membro da equipe. Depois de seis meses eu era diretor administrativo (óbvio que, por ser uma empresa recém criada, não existia uma concorrência e por isso eu “subi” rápido). Um tempo depois disso, eu me tornei vice-presidente. Os cargos em questão não importam. O que importa é que, eu, tímido e sem a menor capacidade de emitir minha própria opinião, me vi na situação e na obrigação de liderar a reunião. Várias vezes tive que dar o voto de minerva, várias vezes tive que dar uma chamada de atenção porque um grupo discordava de outro e a reunião não fluía e com o tempo, percebi também a evolução que isso me trouxe. Logicamente que continuo uma pessoa tímida mas agora eu sei da minha capacidade e sei que, quando temos que fazer algo para que o grupo cresça, não é a timidez que vai segurar. Eu acredito muito que, numa Empresa Júnior, as pessoas acabam tendo que desempenhar o papel de líder. Seja ocupando cargos como esses que eu dei o exemplo, seja trazendo um novo colaborador (recém chegado) para a equipe, fazendo com que ele entenda a sua importância no todo. Existe outro caso, que é muito comum das Empresas Júniores, os eventos da Universidade. Nesses eventos, normalmente os colaboradores acabam trabalhando para ajudar e isso trás um senso maior de responsabilidade e de liderança em função disso.
  • Desde o começo, a EDIFICar Jr sempre teve um lado mais atento à sua responsabilidade social com relação à sociedade. Não sei dizer se todas as empresas são assim mas acredito que uma empresa júnior séria, tem esse lado muito aguçado e faz com que nós possamos crescer neste sentido também. Um exemplo foi uma atividade que fizemos para um projeto de reforma de um asilo. Por causa disso, todos os membros da equipe foram visitar o asilo e entender melhor como funcionava. Isso trouxe uma lição de vida para todos nós.
  • Como falei anteriormente, teve um período em que tive um papel de vice-presidente da empresa júnior. Por causa disso, acabei percebendo que existiam dificuldades que eu, mesmo estando numa universidade conceituada não conseguia entender, nem lidar muito bem. Hoje, depois de um tempo maior de experiência, eu vejo claramente que isso tudo foi o começo do meu desenvolvimento com um assunto que realmente não temos nos cursos de engenharia civil: Gestão de Pessoas. Fomos obrigados, todos nós, a lidar com brigas entre nós mesmos (quando eu digo brigas eu quero dizer discussões entre diferentes pontos de vistas, não agressão). Percebi que era importante motivar a equipe (existiram momentos em que os membros estavam desmotivados pelas dificuldades encontradas e nós mesmos tivemos que nos reinventar para não fechar a empresa). O respeito à individualidade de cada membro da equipe e ao mesmo tempo, o respeito aos objetivos do grupo era algo em que tínhamos que lidar e desenvolver para que a empresa fosse ficando cada vez mais sólida. Até por causa disso, fizemos alguns eventos com o objetivo de integrar a equipe como um almoço de fim de ano (acho que era no fim do ano, ou no fim da gestão, que era em junho). Esse almoço pelo que eu pesquisei, ainda ocorre até hoje, com um diferencial: eles convidam os ex-membros para participarem e contribuírem com sua experiência pós-empresa júnior.
  • Outro caso que me fez crescer e entender as dificuldades do mundo foi quando tivemos que lidar com a política da universidade. Três casos para mim são emblemáticos:
    • Durante o período que fui da Edificar Jr tivemos eleições na UFSCar. Por causa disso, nós, como empresa, participamos e marcamos reuniões com os candidatos a Reitor da Universidade. Essa experiência foi interessante para entender que existe uma negociação de idéias para que os candidatos ajustem seus projetos. Isso faz com que eles tenham mais ou menos apoiadores e sejam eleitos. Essa experiência foi bem rica para mim.
    • Tínhamos uma disputa política no Departamento de Engenharia Civil (DECiv). Existiam professores que entendiam a importância da empresa júnior e existiam professores que abominavam a idéia. Essa disputa nos fez melhorarmos num aspecto: saber onde estamos nos metendo. Lembro bem de algumas aulas onde os membros da EDIFICar Jr eram sempre menosprezados. Sempre que surgia uma oportunidade vinha uma opinião mais apimentada e contrária às empresas júniores. Aprendemos a nos calar e ouvir a opinião contrária também. Ao mesmo tempo, sabíamos nos posicionar e não nos intimidar com esse tipo de situação. Não é todo lugar onde você é bem visto no mundo mas é todo lugar do mundo que você deve ser aceito.
    • A EDIFICar Jr participava das reuniões do NUJ (Núcleo UFSCar Jr) que era uma forma de as empresas se fortalecerem em grupo, dentro da Universidade. Porém, como todo grupo de empresas, existiam disputas políticas e essas reuniões me fizeram ver esse lado também. Normalmente todos queriam “puxar a sardinha para seu lado”. Foi interessante ver que, nós mesmos, as EJs, éramos iguais em maior ou menor escala, aos grupos acima citados. Antes eu enxergava que o problema era com a empresa júnior, qualquer empresa júnior. Mas não. O problema é com as opiniões. E nada melhor do que uma discussão e conversas para que as dificuldades fossem entendidas de todos os lados e que o grupo como um todo pudesse fazer o melhor para a maioria. Às vezes ganhamos e às vezes perdemos.
  • Outra experiência que tive pela EDIFICar Jr foi que, quando completamos um ano de empresa recém criada, queríamos colocar mais gente para dentro da empresa. Foi aí que tivemos a primeira experiência com Processo Seletivo. Lembro que “contratamos” a Empsi Jr (Empresa Júnior de Psicologia da UFSCar). Foi bem interessante pois elas nos ensinaram como funcionava um processo seletivo, o que ficar atento, quais características seriam importantes escolher no candidato e quais os tipos de processo seletivo poderíamos aplicar. Essa experiência me fez aprender muito já que, muito antes de participar de um processo seletivo como candidato eu já havia participado de um processo seletivo na posição de “empregador”. Isso me deu uma visão muito boa para ficar mais tranquilo e saber o que fazer nos processos seletivos que fiz pela vida. É interessante pois a primeira pessoa que eu entrevistei (é minha amiga até hoje) já tinha experiência em entrevistas e falou muito bem, o que me ajudou a entender como se portar numa entrevista dessas. Inclusive, acho essencial qualquer pessoa participar dos processos seletivos das empresas juniores, mesmo que não queiram participar do movimento. Isso é uma experiencia riquíssima.
  • Foi importante para mim também, trabalhar numa empresa júnior pois eu nunca tive a experiência de trabalhar antes (apenas com a empresa do meu pai). Dessa maneira, fui desenvolvendo responsabilidades que não estava acostumado. Além disso, comecei a ver na prática, algumas das coisas que aprendemos nas aulas e isso me fazia querer entender melhor para fazer melhor aquele determinado projeto. Principalmente para quem não tem como estagiar durante a faculdade (meu curso era realizado durante todo o dia) a empresa júnior é uma excelente alternativa, que não substitui, mas agrega muito ao conhecimento do aluno.
  • Uma das coisas que tivemos que fazer, logo no começo, foi estipular metas. Muitas delas não alcançamos mas deixamos um legado para as próximas gerações que vieram depois, muitas tivemos que revisar, algumas tivemos que desistir. O mais interessante de tudo isso foi que tivemos que entender como funcionava o planejamento estratégico da empresa (não era bem com esse nome nem com a teoria correta que víamos isso mas hoje eu entendo que tivemos uma evolução nessa área de conhecimento). Tivemos que desenvolver metas de curto, médio e longo prazo, estratégias para atingir essas metas, como alcançar recursos para atingi-las. Tudo isso nos fez entender que, se o planejamento não for muito bem feito, teremos muitos percalços pelo caminho que poderiam ser evitados se tivéssemos nos organizado melhor. Esse aprendizado eu venho desenvolvendo até hoje e me faz entender melhor como me organizar para atingir minhas metas pessoais e profissionais.

 

Bom, esses foram alguns dos argumentos que me lembrei sobre a importância de participar de uma empresa júnior.

Se você tiver interesse em saber mais, entre no site: http://www.fejesp.org.br/

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