Quando queremos fazer escavação de um terreno mas temos muita água superficial, uma das soluções é recorrer à parede diafragma.

Esta é uma tecnologia de contenção de solos normalmente associada a tirantes. A parede diafragma consiste em se realizar, no subsolo, um muro vertical de profundidades e espessuras variáveis, constituídos de painéis elementares alternados ou sucessivos, e aptos a absorver cargas axiais, empuxos horizontais e momentos fletores.

No entanto, nem sempre as condições de resistência do solo e de recuo de terreno em relação a construções vizinhas permite o uso de tirantes. Existem três tipos de parede diafragma: a de concreto pré-moldado, a de concreto moldado in loco e a parede diafragma plástica, utilizada para impermeabilização. A parede plástica é composta de uma mistura de bentonita e cimento, formando uma argamassa impermeável que tem como objetivo evitar a percolação horizontal da água no terreno. A seguir vamos explicar como é o processo da sua execução:

  • Em todo o perímetro, as muretas guia (que apesar do nome não são feitas com alvenaria) ajudam a orientar a escavação com clamshell. Elas são formadas neste caso por duas vigas de concreto armado com 1,10 m de altura, paralelas e distantes x+2 cm entre si (onde x é a espessura da parede diafragma). Ao final do processo, elas podem ser demolidas já que elas servem apenas para orientar o posicionamento da escavação.

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    Crédito: Arquivo pessoal – Engenheiro na Web
  • A escavação é feita com o guindaste clamshell. As aberturas são feitas a cada 2,5 m, onde as lamelas metálicas serão inseridas. A lama retirada é depositada até secar e, depois, é levada para fora do canteiro. Ao mesmo tempo em que faz a escavação é colocado um tubo com lama bentonítica para garantir o preenchimento do vão, evitando-se assim que exista desbarrancamento do trecho escavado.
  • As lamelas metálicas são içadas por guindaste e inseridas nos pontos escavados.
  • A armação já pode ser preparada enquanto a escavação é executada para que não se perca muito tempo entre o final da escavação e o início da concretagem. Essa armadura é colocada na vala e nas alças das armaduras são passadas travas de segurança que as mantêm suspensas a cerca de 20 cm em relação ao fundo do buraco escavado para que o metal não toque a terra.
  • O tubo por onde a parede diafragma será concretada é içado pelo guindaste e direcionado para o ponto central da armadura. Ele deve atingir o ponto mais profundo da escavação, uma vez que a concretagem acontece de baixo para cima. Chapas-junta são inseridas nas laterais de cada armadura, separando umas das outras.
  • Quando um único tubo não é suficiente para atingir a profundidade, um segundo é içado e rosqueado ao que já foi inserido no buraco. O bocal do tubo é deixado pronto para receber o funil por onde a betoneira despejará o concreto. Enquanto o concreto vai sendo lançado no funil a bomba por onde circula lama bentonítica é ajustada para sugar o material expelido no fundo do buraco à medida que a concretagem avança.

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    Crédito: http://pet.ecv.ufsc.br/wordpress/wp-content/uploads/2013/11/i403429-1024×168.jpg
  • O concreto é despejado pelo funil, passando pelo tubo até chegar à sua extemidade, onde ocorre a expulsão de uma bola que ali havia para evitar o acesso de lama bentonítica ao interior do tubo. A parede-diafragma é executada, então, em toda a sua profundidade.
  • Depois de curado o concreto, o chamado concreto “podre” é retirado com um martelete. Isso porque esse concreto final está misturado com lama. Depois disso, prepara-se o coroamento das paredes-diafragma. O primeiro passo é limpar a lama que se acumulou sobre a superfície e são retiradas as muretas guia, que orientaram as escavações.
  • São instalados os painéis de madeira que servirão de fôrma às vigas de coroamento da parede-diafragma. Essas vigas podem servir apenas de base de apoio de vigas e lajes como podem fazer parte do conjunto, sendo concretadas juntamente com as lajes do trecho. Caso seja concretada juntamente com as lajes do pavimento, teremos que aguardar a conclusão da escavação e execução da estrutura até chegar no pavimento da viga de coroamento para aí sim concretá-la junto com os demais elementos da estrutura.

 

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Bibliografia:

http://www.brasfond.com.br/fundacoes/pdiafragma.html

http://construcaomercado.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/131/artigo298925-1.aspx

http://equipedeobra.pini.com.br/construcao-reforma/57/artigo278120-1.aspx

http://www.pet.ecv.ufsc.br/

 

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