Você já se perguntou como o pessoal da Esquadrilha da Fumaça faz para escrever aqueles textos no céu, em meio a acrobacias?

A Esquadrilha da Fumaça, cujo nome oficial é Esquadrão de Demonstração Aérea (EDA) é o resultado da iniciativa de jovens instrutores de voo da antiga Escola de Aeronáutica, sediada na cidade do Rio de Janeiro. Em suas horas de folga, os pilotos treinavam acrobacias em grupo, com o intuito de incentivar os Cadetes a confiarem em suas aptidões e na segurança das aeronaves utilizadas na instrução, motivando-os para a pilotagem militar. Com as aeronaves NA T-6, eram executadas manobras de precisão como “Loopings” e “Tounneaux” com duas aeronaves. Posteriormente, após os comentários em terra, onde discutiam todos os detalhes, os aviadores passaram a voar com três aeronaves e, finalmente, com quatro. Em 14 de maio de 1952, foi realizada a primeira demonstração oficial do grupo. Após algumas apresentações, percebeu-se a necessidade de proporcionar ao público uma melhor visualização das manobras executadas. Com isso, em 1953, acrescentou-se aos NA T-6 um tanque de óleo exclusivo para a produção de fumaça. Foi assim que os Cadetes e o público, carinhosamente, batizaram a equipe de “Esquadrilha da Fumaça”. A primeira escrita foi a sigla “FAB”, nos céus da praia de Copacabana.

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Crédito: Aeronave A29 Super Tucano – http://www2.fab.mil.br/eda/index.php/2015-04-24-14-30-17

Muito tempo se passou, as aeronaves são mais modernas (Embraer A-29 Super Tucano) mas o encantamento continua o mesmo com as acrobacias e com os textos escritos pelos aviões. Hoje, com sede em Pirassununga (interior de São Paulo), a Esquadrilha da Fumaça continua divulgando a FAB com a Missão: “Realizar demonstrações aéreas, em âmbito nacional e internacional, a fim de difundir a imagem institucional da Força Aérea Brasileira”.

Mas afinal, como eles escrevem os textos?

Os textos costumam homenagear o país (como “pátria amada, Brasil” ou “somos todos Brasil”), as cidades por onde passam (“Eu amo Brasília”) ou campanhas (como “todos contra o Aedes” ou “zica zero”) e tem um processo de escrita que, embora pareça complicado e complexo, é bem mais simples que as manobras feitas pelos pilotos. A maioria das ações são controladas via computador.

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Crédito: http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2016/07/24/como-a-esquadrilha-da-fumaca-escreve-no-ceu/

Geralmente, após pesquisa sobre o local onde farão o evento e qual é a data comemorativa deste evento é determinado o texto a ser escrito no ar. Esta atribuição é do Centro de Comunicação Social da Aeronáutica, a Seção de Operações e a Seção de Comunicação Social da Esquadrilha da Fumaça. Depois de escolhido o texto, é necessário calcular a quantidade de fumaça (feita a partir da queima de óleo) e em que intervalo de tempo ela deve ser liberada pelo avião para formar as palavras no céu. Esse cálculo é feito por um programa de computador chamado Proesa (Programa de Escrita Aérea). O software foi criado em 2013 pela Embraer, fabricante do avião A-29 Super Tucano , usado pela Esquadrilha.

Após o cálculo de distância, quantidade de fumaça e quantidade de tempo com a liberação de fumaça ativada, os dados são salvos em uma espécie de pendrive e transferidos para o computador de cada um dos sete aviões que fazem parte da apresentação. Cada pendrive é capaz de carregar até 12 frases e, consequentemente, é possível escrever, no máximo, 12 frases diferentes em um mesmo voo.

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Crédito: Wikipedia

De longe, parecem pequenas mas cada letra tem, aproximadamente, 100 metros de altura. Algumas frases chegam a ter um comprimento de três quilômetros. Como a fumaça pode se desmanchar, a ideia é que não sejam formadas frases muito longas para que a fumaça não desapareça antes mesmo de a frase ficar pronta.

Durante a apresentação, que ocorre a uma altura de mais ou menos 2.440 metros, os sete aviões se posicionam uma ao lado do outro, com uma distância de três metros entre eles e uma velocidade de 370km/h. Essa formação é chamada de “linha de frente”. É necessário um sincronismo muito grande e é essa a maior dificuldade do piloto para a manobra de escrita. A partir da formação alinhada, cada piloto aperta um botão no manche e cada avião começa a liberar (e deixa de liberar) pequenas quantidades de fumaça, de acordo com as instruções que recebe do computador de bordo. O piloto precisa apenas manter a velocidade e a distância dos demais aviões.

Essas pequenas quantidades de fumaça, quando vistas de longe e juntas, formam as palavras! Simples assim! Abaixo, podemos ver algumas das demonstrações do Esquadrão de Demonstração Aérea:

 

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Fontes:

http://www2.fab.mil.br/eda/

Como os aviões escrevem no céu?

https://pt.wikipedia.org/wiki/Esquadrilha_da_Fuma%C3%A7a

http://todosabordo.blogosfera.uol.com.br/2016/07/24/como-a-esquadrilha-da-fumaca-escreve-no-ceu/

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