Considero que numa obra, principalmente edifícios residenciais, o serviço mais importante é o serviço de estrutura de concreto armado. O primeiro motivo é que é um serviço que vai definir a dificuldade dos próximos. Se executarmos uma estrutura bem alinhada, no prumo, com os eixos bem definidos não teremos problemas para os acabamentos internos e externos. Além disso, se tivermos dificuldades com o prazo de estrutura, todos os próximos serviços serão críticos e complicados por serem serviços que dependem da sequência, não podendo iniciar antes de se ter construído a estrutura. Por último, mas o mais importante, é que a estrutura tem muitos itens que devemos ter atenção especial. A segurança, por exemplo, é um ponto de extrema atenção já que existem riscos graves de queda de material e pessoas. Mas o que vamos explicar nesse texto é o controle tecnológico do concreto, principal material utilizado nas estruturas no Brasil.concreto-armado-processada

O concreto é o resultado da mistura de cimento, água, agregado graúdo (brita) e agregado miúdo (areia). O concreto fresco, tem uma consistência plástica e, por consequência disso, pode ser moldado. O concreto endurecido tem elevada resistência a compressão mas pouca resistência a tração e é por isso que utilizamos aço para fazer o concreto armado (o aço tem elevada resistência a tração).

Como o concreto é uma mistura de vários materiais pode vir a ter vários problemas na sua execução que afetam a resistência final do produto, além da sua durabilidade. Por causa disso temos que checar, por meio de ensaios, a qualidade do concreto a ser empregado na obra.  Para garantir o bom desempenho do concreto, a construtora deve estar atenta à escolha dos materiais, à dosagem dos componentes do concreto e de aditivos e adições, e à aplicação do material durante toda a obra. A seguir vamos explicar os ensaios mais comuns:

  • Fator água/cimento (a/c): Já no preparo do concreto, um ponto de atenção é com relação à quantidade de água utilizada já que ela é a responsável pela ativação da reação química do cimento. É a água que faz com que o cimento se torne aglomerante. Se a quantidade de água for muito pequena, não ocorrerá a reação por completo mas, se a quantidade de água for superior à ideal, a resistência do concreto diminuirá em função dos poros que ocorrerão quando este excesso evaporar. A verificação da quantidade de água e cimento não é realizada na obra. Mas pode-se solicitar que a usina de concreto envie a informação do fator A/C na NF do caminhão para verificação.
  • Ensaio de Abatimento ou Slump Test:
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    Crédito: http://www.caer.uky.edu/kyasheducation/testing-concrete.shtml

    A consistência do concreto fresco é uma propriedade que é relacionada com a fluidez da mistura. Quanto menos fluido mais difícil de ser bombeado para andares mais altos mas, quanto mais fluido mais difícil de se manter uma mistura homogênea, sem segregação. Se vamos trabalhar  com um concreto bombeado, para jogar numa laje no 20º pavimento, precisaremos de um material mais fluido para que ele consiga ser bombeado com mais facilidade para um pavimento mais alto. As usinas de concreto normalmente fornecem um documento chamada carta de traço para nos auxiliar a encontrar o concreto fluido suficiente para que suba até o andar desejado através da tubulação de concreto (um tubo de aproximadamente 15 cm de diâmetro). A consistência do concreto depende da quantidade de água, da granulometria dos agregados e da presença de aditivos. Por isso, quanto mais fluido mais caro é o concreto.

 

  • Ensaio de Resistência a Compressão: Um projeto estrutural é realizado com base na resistência característica do concreto à compressão (Fck). Se um projetista parte do pressuposto que o Fck de um concreto é 30 Mpa, então ele precisa garantir que o concreto que vai ser aplicado tenha uma resistência característica maior ou igual a essa definida em projeto. Todo caminhão betoneira que chega na obra deve ser utilizado como amostra. Sendo assim, a cada caminhão que chega, algum funcionário deve retirar os corpos de prova deste caminhão e identificá-los com data, hora, e número da nota fiscal. Este corpo de prova é padronizado e possui uma forma cilíndrica, deve ser preenchido com concreto sobre uma superfície nivelada e armazenado adequadamente conforme indicado na NBR 5738 (Norma Brasileira). Indica-se pegar pelo menos 2 corpos de prova para cada idade de ensaio do concreto (7 dias, 28 e 63), ou seja, por caminhão betoneira, retira-se o total de 6 Corpos de Prova para esse ensaio. Quando um concreto é ensaiado e tem um resultado mais baixo do que o esperado fica fácil de encontrá-lo se fizermos o mapeamento corretamente de onde se aplicou esse material na estrutura. Dessa forma, ainda é possível passar essa informação para o calculista afim de que ele possa analisar a melhor solução para o problema.

 

  • Módulo de Elasticidade:
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    Crédito: http://www.caer.uky.edu/kyasheducation/testing-concrete.shtml

    Com o passar do tempo, as estruturas ficaram cada vez mais complexas e apenas a resistência característica a compressão do concreto não era suficiente para os calculistas. Eles precisavam entender qual era o real comportamento das estruturas de concreto ao longo do tempo. Para isso eles utilizam o módulo de elasticidade. De um modo geral, podemos dizer que um material submetido a esforços, pode apresentar um comportamento plástico, elástico ou até elastoplástico (uma mistura dos dois). A deformação elástica é a propriedade de o material retornar ao seu formato original após a retirada da carga que o havia deformado, enquanto a deformação plástica é quando não existe esse retorno. A maioria dos materiais passa por um comportamento elástico até que sofre uma deformação plástica (ou irreversível). Dessa forma, o módulo de elasticidade do concreto ajuda ao calculista a determinar o quanto pode ser esse comportamento do material a ser utilizado pela obra, após a desforma.

 

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Fontes:

http://www.portaldoconcreto.com.br/cimento/concreto/concretos.html

http://construcaomercado.pini.com.br/negocios-incorporacao-construcao/136/artigo299747-1.aspx

http://sinop.unemat.br/site_antigo/prof/foto_p_downloads/fot_7351contbole_tecnolygico_bysico_do_concbeto_pdf.pdf

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