Estava quase indo dormir quando me deparei com essa notícia maravilhosa! A notícia saiu no último dia 13 mas ainda não havia visto nenhum canal de notícias dando a devida importância: O Bundesrat, conselho federal alemão, votou pela proibição dos motores de combustão a partir de 2030!!!

Dessa forma todos os carros emplacados na Alemanha a partir de 2030 deverão ter motores alimentados a eletricidade, hidrogênio ou outras fontes de energia limpa. Mas a medida pode não ficar restrita ao país: os legisladores querem levar a resolução para toda a União Europeia.

Autosalon Paris - Zweiter Pressetag
Carro Elétrico da Mercedes – Crédito: http://www.spiegel.de/auto/aktuell/bild-1115707-1057489.html

De acordo com a revista alemã Der Spiegel, o incentivo aos veículos elétricos é uma das medidas tomadas para reduzir as emissões de dióxido de carbono na Alemanha em 95% até 2050 (como já havíamos falado aqui). Além disso, a idéia é aumentar o imposto dos carros a combustão para diminuir o interesse por esse tipo de veículo.

Segundo o parlamentar do partido Verde, Oliver Krischer, “se o acordo de Paris, para reduzir as emissões de poluentes e o aquecimento global, for levado a sério, não há como serem permitidos carros novos com motor a combustão nas estradas depois de 2030”.

O grande dilema  é que se uma proposta para liberação comercial apenas de carros elétricos for aprovada, mesmo que a partir de 2030, o impacto na indústria será enorme, já que milhares de postos de trabalho serão cortados no país.

As montadoras não sofreriam tanto impacto mas as empresas que produzem os componentes dos motores, transmissões e todos os itens envolvidos diretamente com o sistema de propulsão a combustão teriam de fechar as portas ou mudar de atividade por conta da mudança no mercado já que um propulsor elétrico exige apenas 10% do efetivo atualmente empregado para produzir um motor a combustão uma vez que este possui muito mais detalhes do que aquele (tem bielas, virabrequim, velas, pistões, cabeçote, bloco, etc).

Essa tendência não ocorre apenas na Alemanha. Alguns países da Europa já manifestaram intenções de encerrar as vendas de carros movidos puramente por gasolina, diesel ou GNV, entre eles Noruega e Holanda, já a partir de 2015. A Índia, um mercado bem maior e mais complexo, quer ser o primeiro grande player mundial a ter somente carros elétricos nas lojas a partir de 2035.

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Crédito: http://carros.uol.com.br/noticias/bloomberg/2016/10/13/volkswagen-quer-brilho-da-tesla-mas-pode-ter-prejuizo-com-eletricos.htm

Toda essa mudança também afetaria a indústria do petróleo, não só na venda de gasolina, diesel ou GNV, mas também de óleo lubrificante para motores e fluídos de transmissões. Motores elétricos dispensam esses produtos. Em compensação, empresas produtoras de alumínio, fibra de carbono, lítio, terras raras e outros materiais especiais utilizados na fabricação de baterias, células de íons de lítio, chicotes elétricos, módulos eletrônicos, entre outros, seriam grandemente beneficiados com a comercialização de somente carros elétricos.

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Crédito: http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,ERT322726-17579,00.html

Na Alemanha, tal mudança seria radical na indústria, conhecida por sua excelência no setor automotivo e de aço, entre outros. As empresas precisarão se reestruturar e ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento, recapacitação de funcionários e reequipagem de fábricas para cumprir sua meta para os veículos elétricos. Porém, apesar das mudanças essa votação do conselho alemão ajuda num sentido importante: a previsibilidade. Dessa forma, a maioria dos investimentos que poderiam ser aplicados para motores a combustão deverão ser aplicados em inovação tecnológica com a certeza de que os carros elétricos ou híbridos serão a alternativa viável. Até agora esse investimento foi feito sem entusiasmo, porque estes carros são mais difíceis de serem vendidos e são mais caros e menos lucrativos. Com um maior investimento nessas inovações teremos, com certeza, avanços bastante significativos – baterias para intervalos mais longos, mais estações de carregamento, um fornecimento mais rápido de energia. Em suma, a inovação dará amadurecimento aos novos carros e, com o aumento de números, faria os preços e os custos de produção diminuírem.

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Crédito: http://olhardigital.uol.com.br/noticia/volkswagen-se-planeja-para-lancar-30-carros-eletricos-nos-proximos-10-anos/59449

Isso já pode ser visto nos números divulgados pelas empresas. A Volkswagen, por exemplo, quer vender 10 milhões de carros verdes em 2025, sendo sete milhões de híbridos plug-in e três milhões de carros puramente elétricos, sendo um milhão só com o logotipo VW. O plano deles é lançar 30 carros elétricos nos próximos 10 anos. Mas, a Daimler não quer ver a rival como líder entre os elétricos e já prepara uma ação para ter a primeira posição entre os carros plugados. No entanto, a expectativa era que isso ocorreria em 2020, mas agora a previsão foi mudada para 2025.

BMW e Opel estão mais comedidas quanto a um avanço maior sobre o mercado de elétricos como as duas gigantes da indústria alemã. Já a Ford prepara o Model E para os EUA e deve ampliar a gama de elétricos na Europa, mas também sem grandes ambições.

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Crédito: http://g1.globo.com/carros/noticia/2016/01/necessarios-mas-indesejados-venda-de-eletricos-e-hibridos-cai-nos-eua.html

Ao mesmo tempo, essas empresas estão caminhando para novos modelos de negócios: carros compartilhados (isso ainda é uma novidade aqui no Brasil mas já é comum em outros países), ou carros autônomos. “É hora de virar a chave”, disse um executivo no salão do automóvel de Paris. O gerente foi Dieter Zetsche, CEO da Daimler AG. Ele estava se referindo à mobilidade elétrica, e as suas palavras devem soar como revolução.

Apesar do susto inicial para as empresas, há muita esperança. Por um mundo mais verde e sustentável, por um mundo melhor!

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Fontes:

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