Construída em parceria entre o governo do Estado e a prefeitura do Rio de Janeiro, o Colégio Estadual Erich Walter Heine, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro, tornou-se exemplo de redução de consumo de água e luz. O colégio é o primeiro a receber a certificação de primeira escola totalmente sustentável do Brasil e de toda a América Latina. A certificação LEED (Leadership in Energy and Environmental Design) é concedida pela entidade internacional Green Building Council.

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A escola sustentável foi projetada em forma de catavento, de maneira que o ar circule por todo o espaço. O teto, que favorece a iluminação natural, conta com áreas abertas que fazem com que o ar quente suba e se dissipe como em uma chaminé. A região de Santa Cruz tem temperatura que pode chegar aos 40 graus no verão. Por isso, uma das preocupações da proposta concebida pelo escritório de arquitetura Arktectus, foi criar mecanismos para garantir o conforto ambiental no interior do prédio, mantendo, porém, elevados índices de eficiência energética. Como exemplos de diminuição no uso de energia, estão os números relativos ao consumo de água e luz em escolas do mesmo porte. No CE Erich W. Heine, as iniciativas geraram uma redução mensal de R$ 4.000,00 para R$ 1.600,00 na conta de água e de R$ 4.500,00 para R$ 1.800,00 na de luz.

Do desenvolvimento do projeto à execução da obra, foram várias iniciativas aplicadas para atender aos requisitos de certificação. Entre elas estão soluções como a implantação no terreno, os jardins na cobertura, amplos vãos para a circulação de ar e gestão dos resíduos da obra.

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O prédio foi dividido em quatro módulos independentes, posicionados sobre o terreno de modo a compor uma planta com a forma de cata-vento, aumentando o conforto térmico, tendo ao centro um pátio interno. Este recurso facilitou a passagem do ar pelos corredores entre os volumes, resfriando as circulações internas e, por exaustão mecânica, saindo pela claraboia, instalada no pátio interno. O resultado é um efeito chaminé que favorece a troca de ar. Para maior aproveitamento da luz natural, os corredores estão voltados para o pátio.

O sistema de ventilação cruzada estende-se para as salas de aulas e áreas administrativas, que possuem janelas maxim-ar para a circulação dos ventos, baixando a temperatura em dias amenos. Para os dias mais quentes do verão foi instalado sistema de ar condicionado com tecnologia Inverter, desenvolvida especialmente para reduzir o consumo de energia nos equipamentos split.

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O sistema funciona como um inversor de frequência, que controla a velocidade de compressão do ar condicionado: quanto menos calor precisar ser retirado do ambiente, menor será a velocidade do compressor. Assim, este nunca precisa ser desligado; picos de voltagem não ocorrem e reduz-se o consumo de energia.

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O terreno escolhido para a implantação era antes uma praça arborizada de um conjunto habitacional, que abrigava quadras e equipamentos de lazer. Estes foram mantidos e recuperados, para reduzir a geração de resíduos durante a obra. A inserção da escola em meio a uma comunidade carente, mas que já dispunha de pequenos comércios e serviços públicos, colaborou com a pontuação para a certificação. O acesso fácil levou também à criação de bicicletário, para incentivar o uso de bicicletas pelos alunos.

Grandes janelas nas salas e áreas de circulação aumentam a iluminação natural. Pisos e paredes ganharam cores claras. Vidros verdes com película interna reflexiva promovem a redução de calor. A fachada norte recebeu brises verticais que, além do sombreamento, protegem a fachada com vegetações regionais. Para evitar a formação de ilhas de calor, os quatro blocos têm tetos-jardins e a quadra é protegida por cobertura branca, que evita a emissão de calor.

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Além de diminuir a amplitude térmica, o telhado verde colabora com a redução da velocidade de escoamento da água da chuva e com o aumento da retenção dessa água, aproveitada em vasos sanitários, lavagem de pátios e irrigação de jardins. Esse recurso levou à economia de 40% no uso de água potável. A utilização de ecopavimento, que, além de ser permeável, utiliza materiais recicláveis como o PET, colabora com a recuperação do lençol freático, através da penetração da água da chuva.

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Para atender às exigências da certificação LEED foram cumpridas outras etapas, como a elaboração de um plano de controle de sedimentação e erosão do solo, para que os resíduos de obras não fossem derramados nas ruas evitando possível contaminação do solo. Foi feita também a análise ambiental do terreno: para o LEED foi necessário apresentar uma avaliação ambiental do solo, para provar que ele não oferece riscos de contaminação para os alunos que ficarão o dia inteiro no local. Além disso, durante a obra foram escolhidos locais para a separação permanente de resíduos, o que ajudou a monitorar e racionalizar o descarte. Todo o solo proveniente das escavações para as fundações e estruturas, como a piscina, foi reaproveitada em outras áreas, pois a escola está 60 centímetros acima do nível da rua.

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Em função da certificação LEED, a escola foi planejada de forma a facilitar, incluir e dar acesso fácil a todos, não somente a alunos especiais, mas a idosos, obesos, grávidas, pessoas com mobilidade reduzida. Nas áreas de circulação não há degraus, o ingresso ocorre por rampas, as salas estão em nível zero e possuem identificação com comunicação visual e em braille. A piscina semiolímpica tem corrimãos e rampa de transpasse para que qualquer um possa entrar e sair com independência.

No total, a escola tem 15 salas de aulas, dois laboratórios de informática, uma sala de música, uma sala de artes, um laboratório de ciências, biblioteca e auditório. Alguns espaços são abertos à comunidade, como a piscina, as quadras, o auditório, a biblioteca, a sala de leitura, os laboratórios de informática, a horta orgânica, as praças de convivência e a sala de educação ambiental. O projeto desenvolvido pelo escritório Arktectus será modelo para os próximos projetos de escolas sustentáveis no país.

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O projeto como um todo custou R$16 milhões na construção com aplicação desses conceitos e uso de materiais ecologicamente corretos. Inaugurada em 2011, a escola passou por uma série de inspeções depois da inauguração que atestaram a eficácia das mais de 50 medidas adotadas para melhor aproveitamento dos recursos naturais e maior eficiência energética.

Certificação LEED

O LEED é uma certificação para edifícios sustentáveis concedida pela U.S. Green Building Council, entidade sem fins lucrativos de empresas líderes no ramo da construção, para as estruturas que atingem determinados critérios de racionalização no uso e administração de recursos como água e energia, entre outros.

O selo específico para escolas, no entanto, apresenta duas outras exigências: a apresentação de um relatório ambiental da qualidade do solo, para que não seja perigoso à saúde das crianças, e o tratamento acústico nas salas de aula, corredores e ambientes internos próximos às salas.

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Fontes:

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