O atendimento da meta vai depender de aumento no crédito e estabilidade política e econômica do País

“Quem casa quer casa longe da casa em que casa”. O ditado popular de antigamente ainda não perdeu o prazo de validade, mas o desejo de ter um teto para morar, nos dias atuais, não é mais só de quem casa. A evolução dos costumes da sociedade brasileira trouxe outros tipos de domicílios. Jovens que deixam a casa dos pais em busca de independência, divorciados, amigos interessados em dividir um espaço.

Quando se tem mais procura do que oferta, o resultado da conta é um déficit, neste caso, o habitacional.Em 2015, a maior parte 3,269 milhões das famílias que compunham o déficit habitacional estavam no componente ônus excessivo com o aluguel, ou seja, gastavam pelo menos 35% da renda com habitação. Na coabitação familiar, outro componente importante do déficit, havia 3,227 milhões de famílias, ou 41,6% do total.

Em termos absolutos, a maior concentração do déficit ocorreu na região mais populosa do país, o Sudeste, onde 3,045 milhões de famílias se enquadravam nas condições de déficit habitacional. O estado de São Paulo tinha 1,613 milhão de famílias no déficit habitacional em 2015. Em Minas Gerais e no Rio de Janeiro o déficit foi de, respectivamente, 768 mil e  536 mil famílias nesse ano.

De acordo com Celso Petrucci, presidente eleito da Comissão da Industria Imobiliária CII – CBIC), o déficit habitacional até 2014 era de 6,2 milhões de moradias. E a tendência é aumentar. Estudos encomendados à Fundação Getúlio Vargas pelo setor indicam, com dados do IBGE, que de 2015 a 2025, o país vai precisar de 14,5 milhões unidades residenciais. Petrucci não acredita que a meta será cumprida. “Por mais que o setor imobiliário volte a produzir como nos anos de 2010 a 2014 dificilmente conseguirá atender as necessidades da população. O tamanho da demanda requer muito dinheiro. Enquanto isso as famílias vão dando um jeito”.

O mercado imobiliário vê com preocupação a diminuição nas contratações de obras em 2015, tanto em âmbito federal quanto estadual. “O ciclo importante de obras de habitação no período de 2010-2014 não se repetirá nos próximos anos. Os cenários até 2025 apontam para um crescimento perene na venda de imóveis, porém o desempenho será melhor ou pior dependendo da estabilidade política e econômica do país”, analisa Celso Petrucci.

Para reverter esse quadro, Entidades ligadas à construção civil defendem que o Minha Casa Minha Vida seja transformado em programa de estado. Estimular parcerias público privada (PPP) habitacionais é uma alternativa importante e de extrema relevância. Além disso, é preciso haver retomada do crédito em condições semelhantes às do período de 2010 a 2014.

Cenários de Demanda

O Brasil necessita de 1,5 milhão de unidades habitacionais por ano. O número é da Comissão da Indústria Imobiliária (CII) da CBIC e foi divulgado durante a realização o Painel sobre Déficit Habitacional e Cenários de Demanda, no segundo dia do ENIC 2017, evento promovido pela CBIC com a correalização do SENAI.

O professor da Fundação Getúlio Vargas e especialista em cenários de demandas, Robson Gonçalves apresentou uma projeção sobre as necessidades habitacionais do país para o período de 2015 a 2025.

Robson Gonçalves diagnosticou que a necessidades de novos imóveis cresce ou diminui também em função das mudanças no perfil das famílias brasileiras. “O potencial do setor de habitação no Brasil é uma possibilidade muito negócios. Uma nova família pode demandar um novo imóvel. Para o professor da FGV, mesmo que a taxa demográfica chegue a zero ainda haverá demanda por habitação. ” As pessoas desejam mudar de casa por vários motivos, não necessariamente porque a família aumentou”.

O problema é a estabilidade econômica ameaçada pelas diversas crises políticas. Se o PIB cair vai impactar a procura por novos imóveis. “Ninguém vai querer comprar um imóvel em momento de crise para se tornar inadimplente”, concluiu o especialista.

Ronaldo Cury, vice-presidente de habitação do Sinduscon-SP, disse que desde 2009 o déficit aumentou 5,9%. A região onde o déficit habitacional mais aumentou foi a região sul e também a que menos contratou, em 2015.

O representante do Sinducon-SP lembrou que o Minha Casa Minha Vida teve investimentos de R$ 332 bilhões e que isso trouxe muitos benefícios à população atendida pelo programa. “É necessário e vale a pena investir em habitação porque ele está reduzindo custos futuros. Uma casa com saneamento está economizando com saúde no futuro.  Os benefícios são imensuráveis”, garantiu Ronaldo Cury.

Ações do governo

Maria Henriqueta Ferreira Alves, Secretária Nacional de Habitação, foi na mesma linha ao dizer que “uma obra de construção civil, seja um conjunto habitacional ou um empreendimento de luxo, significa uma indústria colocada naquela cidade pelas demandas que ela traz: comércio, vestuário, transporte, comida. Novas construções trazem empoderamento às cidades”, assegurou a secretária.

Governo vai liberar a lista de empreendimentos selecionados a serem contratados para o faixa 1(recursos totalmente bancados pelo governo), do Minha Casa Minha Vida e que o governo está fazendo revisão do plano nacional de habitação. Mudando o foco do quantitativo para o qualitativo. E disse, que pela previsão do governo, se atendido o déficit existente hoje, ainda haverá uma demanda por mais de 2 milhões de domicílios entre 2036 e 2040.

Maria Henriqueta afirmou que há um movimento no Congresso por mudanças na aplicação dos FGTS e pediu aos empresários que lutem para que esses recursos continuem financiando os programas habitacionais.

Na abertura do de 89º ENIC, na quarta-feira (24), o ministro das Cidades, Bruno Araújo, que o governo editará, nas próximas semanas, uma medida provisória para dar às empresas privadas os mesmos direitos das empresas públicas no acesso a recursos para investimento em saneamento básico.

Já o presidente da Caixa Econômica Federal, Gilberto Occhi, assegurou que a instituição tem mantido um “diálogo intenso com a CBIC, e todos os que fazem a CBIC, para que possamos entender o novo momento da economia”. É necessário que o setor privado participe ativamente desse novo momento do Estado brasileiro”. Segundo ele, o governo tem tomado iniciativas para superar as dificuldades da economia e para dar aos estados e municípios opções de investimentos em infraestrutura junto com o setor privado.

“Quero deixar uma mensagem de otimismo, uma mensagem que passa por garantir o crédito, de condições melhores, de redução de taxa de juros, de confiança na melhoria da economia, mas também a necessidade de todos nós nos unirmos para superar esse momento de dificuldade porque passa o Estado brasileiro”, disse Occhi.

Texto de: SANDRA BEZERRA, CBIC, www.cbic.org.br, 02/06/2017 

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