Ao longo de dez meses a Orb Media (organização sem fins lucrativos situada nos Estados Unidos) realizou uma pesquisa sobre o plástico em água de torneiras em diversos lugares do mundo com participação de várias organizações no mundo todo como, por exemplo, a Folha de São Paulo, um dos maiores jornais do Brasil. Os resultados foram alarmantes pois 83 por cento das amostras coletadas continham fibras de plástico, também chamadas de microplásticos. Segundo os autores do estudo, estamos vivendo na ‘Era Plástica’ e a contaminação provavelmente não está limitada somente à nossa água.

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Segundo a Orb Media este foi o primeiro estudo científico público do tipo e contou com a parceria de um pesquisador da Escola de Saúde Pública da Universidade de Minnesota, nos EUA. Os autores da pesquisa testaram a água da torneira nos Estados Unidos, Europa, Indonésia, Índia, Líbano, Uganda, Equador e Brasil.

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Crédito: FOLHA DE SÃO PAULO  http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/09/1916146-ha-microplasticos-na-agua-da-torneira-de-todo-o-mundo-inclusive-no-brasil.shtml

Segundo os pesquisadores, os microplásticos que contaminam nossas águas vêm de uma variedade de fontes, entre elas estão as roupas sintéticas, as poeiras de pneus e até mesmo plásticos encontrados em produtos de higiene e beleza, como pastas de dentes e cosméticos. “Foram produzidos mais plástico nos últimos dez anos do que em todo o século passado”, alerta o relatório.

“Isso deve servir de alerta”, diz Muhammad Yanus, Prêmio Nobel da Paz de 2006. “Sabíamos que esse plástico voltava para nós por meio da cadeia alimentar. Agora vemos que está voltando para nós na nossa água de beber”.

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Como era de se esperar, os Estados Unidos foram os recordistas com 94% de amostras com plástico na água da torneira. Os pesquisadores detectaram as fibras plásticas até mesmo na sede da Agência de Proteção Ambiental norte-americana, edifícios do Congresso e na Trump Tower em Nova York. O número de fibras encontrado na água de torneira do Trump Grill (na Trump Tower) foi semelhante ao encontrado nas amostras de Beirute, no Líbano. A Europa tinha o mínimo, porém, os plásticos foram encontrados em 72% das amostras lá.

O jornal Folha de São Paulo também participou do estudo enviando 10 amostras de água da cidades de São Paulo. Segundo matéria publicada no site do jornal, 9 entre 10 amostras continham fragmentos de plástico com números semelhantes aos encontrados ao redor do mundo.

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Crédito: FOLHA DE SÃO PAULO  http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/09/1916146-ha-microplasticos-na-agua-da-torneira-de-todo-o-mundo-inclusive-no-brasil.shtml

A Orb encontrou plástico em água engarrafada e em casas que usam filtros de osmose reversas (aqueles aparelhos que empregam membranas semipermeáveis para retirar partículas do líquido, incluindo as bactérias).

Se, por um lado, existem pessoas como Albert Appleton, ex-superintendente do departamento de água de Nova York que dizem que “não se pode decidir se esse é um problema real até entender como ele afeta o organismo humano”, existem outras pessoas como Sherri Ann Mason, da Universidade do Estado de Nova York, que supervisionou parte dos estudos que dizem que “temos dados suficientes, vindos da análise da vida selvagem e dos impactos que ele está tendo sobre a os animais selvagens. Se isso está afetando [a vida selvagem], como podemos achar que não vai nos afetar de alguma forma?”

Essas fibras se acumulam no intestino humano? São prejudiciais para nossa saúde? Será que se esse material poderia, antes de entrar e ser acumulado no nosso corpo, absorver desreguladores endócrinos (moléculas capazes de alterar o sistema hormonal)? Essas são algumas das dúvidas que estão surgindo mas ainda não existem estudos conclusivos que possam ser levados em conta para responder a elas.

Enquanto não temos respostas a algumas perguntas podemos já começar a pensar num futuro com a solução para o problema. E é isso que algumas cidades estão começando a fazer. “Uma diminuição da velocidade do processo de tratamento de esgoto permitiria a captura de mais fibras de plástico” disse Kartik Chandran, um engenheiro ambiental da Universidade Columbia (EUA). Isso, também tem que ser bem feito e planejado já que aumentaria o custo do processo. Aqui no Brasil, por exemplo, onde o tratamento de esgoto não é algo que atinge a todas as cidades isso é um problema grande a ser resolvido.

Outra solução é criar substâncias mais seguras e que sejam tão convenientes ao uso humano quanto o plástico que estamos acostumados a utilizar hoje em dia. Esse tipo de solução já vem sendo estudado pelo mundo. Um exemplo disso é o bioplástico feito com mandioca que já foi assunto nesta página. Caso você ainda não tenha lido o artigo, clique aqui para conhecer mais. Outro exemplo é a embalagem ecológia criada por brasileiros para substituir os plásticos filmes. Clique aqui caso queira conhecer esse projeto.

“Já que o problema do plástico foi criado exclusivamente pelos seres humanos, por causa da nossa indiferença, ele pode ser resolvido pelos seres humanos, se prestarmos atenção nele”, sugere Muhhamad Yunus. “Agora, o que precisamos é de determinação para resolver isso antes de sofrermos maiores consequências”.

A utilização de filtros domésticos para máquinas de lavar roupas específicos para microfibras é um exemplo de solução que vem ganhando popularidade como forma de reduzir essa poluição dos microplásticos.

DE ONDE VEM?

Abaixo, podemos ver alguns dos motivos desse aparecimento dos microplásticos nas torneiras.

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1 – Fibras sintéticas de lavagem – Roupas sintéticas como lã, acrílico e poliéster emitem milhares de fibras microscópicas em cada lavagem. Cerca de 1 milhão de toneladas dessas pequenas fibras são descarregadas em águas residuais a cada ano, onde mais de metade acaba evadindo o sistema de tratamento de esgoto e escapar para o meio ambiente;

2 – Pó de pneu – O pó de pneu de estireno e butadieno é lavado em esgotos, e de lá em córregos, rios e oceanos. Carros e caminhões emitem mais de 20 gramas de poeira de pneus por cada 100 quilômetros que dirigem. A Noruega, por exemplo, produz 1 kg de poeira de pneus a cada ano para cada mulher, homem e criança noruegueses.

3 – Pinturas – Poeira das marcas rodoviárias, pintura do navio e de pintura de casas. A tinta contribui com mais de 10% poluição dos micro plásticos nos oceanos. Estudos mostram que a poeira da tinta cobre a superfície do oceano.

 4 – Microplásticos secundários – Pelo menos 8 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam aos oceanos, rios e lagos do mundo a cada ano. Esses materiais como recipientes, sacolas e outros materiais para viagem se desfazem e se fragmentam nos mares, dividindo-se em peças cada vez menores para juntar-se às cadeias alimentares marinhas e humanas – os microplásticos do futuro. Produzimos mais plástico nos últimos 10 anos do que em todo o século passado.

5 – Fibras sintéticas no ar – Os cientistas só começaram a examinar como as fibras microscópicas atingem a atmosfera e seu papel como fonte de terra e marinha
poluição. Um palpite é que a abrasão comum – o simples atrito de seus membros escovando uns contra os outros – faz com que os micropedaços de roupas se quebrem no ar, como um gato que derrama peles. Um estudo de 2015 em Paris estimou que entre três e dez toneladas de fibras aéreas alcançam a superfície da cidade a cada ano.

6 – Microesferas – Banido em limpadores faciais e alguns cosméticos nos EUA e Canadá, estima-se que mais mais de 8 trilhões de microesferas poluíram as vias navegáveis dos EUA em 2015.

Fica claro que todos nós temos uma parcela de culpa disso. Temos que mudar nossos hábitos  para evitar ao máximo a utilização dos materiais que podem gerar esses resíduos. Cabe a nós mudar o mundo!

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Fontes:

  • https://orbmedia.org/stories/Invisibles_plastics
  • http://ciclovivo.com.br/noticia/fragmentos-plasticos-estao-presentes-em-83-de-agua-da-torneira-de-todo-mundo/
  • http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/09/1916146-ha-microplasticos-na-agua-da-torneira-de-todo-o-mundo-inclusive-no-brasil.shtml

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