O Brasil está em busca de dois grandes nomes da exploração espacial, Boeing e SpaceX, para tentar firmar uma parceria visando o lançamento de foguetes em missões espaciais do Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.

Após o fracasso da parceria firmada com a Ucrânia 15 anos atrás, o governo federal negocia com as empresas norte-americanas SpaceX e Boeing, entre outras, o uso do CLA (Centro de Lançamento de Alcântara), no Maranhão, para lançamento de foguetes em missões espaciais até 2021. De acordo com o Ministério da Defesa, a base de lançamento tem o potencial de gerar 1,5 bilhão de dólares por ano ao país.

A SpaceX é hoje a principal companhia privada dedicada à exploração espacial e, no dia 6, lançou ao espaço a partir dos EUA o Falcon Heavy, o foguete mais potente da história.

A Boeing é uma das maiores empresas de construção de aeronaves do mundo e também produz componentes, satélites e veículos espaciais — a empresa é fabricante dos ônibus espaciais usados pela Nasa (a agência espacial norte-americana) para levar astronautas ao espaço.

Primeira parceria deve ser em breve, diz major-brigadeiro

“Ainda não há nenhuma parceira fechada, mas estamos conversando e negociando com várias empresas do setor aeroespacial, incluindo a SpaceX, para o uso da nossa base em Alcântara”, afirma o major-brigadeiro Luiz Fernando Aguiar, presidente da Comissão Coordenadora de Implementação de Sistemas Espaciais da FAB (Força Aérea Brasileira).

“Algumas dessas conversas estão bem adiantadas e devemos anunciar a primeira parceria em breve”, declara.

Em novembro, os militares da Aeronáutica receberam uma comitiva de executivos de empresas norte-americanas do setor aeroespacial. De acordo com a FAB, havia representantes das companhias Vector Space Systems, Microcosm, Boeing e da gigante da área militar aeroespacial Lockheed Martin.

Segundo o major-brigadeiro Aguiar, os executivos da SpaceX faziam parte do grupo, mas cancelaram a vinda ao Brasil na última hora, pois tiveram que resolver imprevistos relacionados ao lançamento no início do mês do foguete Falcon Heavy.

A comitiva conheceu o complexo aeroespacial de São José dos Campos (91 km de São Paulo) e depois a base de lançamentos no Maranhão. “Mostramos para eles as possibilidades do nosso centro, que tem todas as condições de abrigar projetos espaciais destas companhias”, diz o major-brigadeiro a frente da iniciativa.

“Nossa base tem a melhor localização do mundo para lançamentos espaciais, as empresas sabem disso e, assim como a gente, querem aproveitar esse potencial”, afirma Aguiar.brasil-tenta-parceria-com-spacex-e-boeing-para-lancar-foguetes-ate-2021.jpg

Alcântara, na região metropolitana de São Luís, fica próxima à linha do Equador. A localização é estratégica para lançamentos espaciais, pois oferece um caminho mais curto para os foguetes saírem da atmosfera e serem colocados em órbita — a economia de combustível pode chegar a 30% em relação a outros pontos de lançamento nos EUA e na Europa, por exemplo. Apesar disso, o Brasil nunca conseguiu aproveitar o potencial aeroespacial do lugar.

Falta acordo para proteger tecnologia dos EUA

A concretização destas negociações, no entanto, depende da aprovação e entrada em vigor de um acordo de salvaguardas tecnológicas com os Estados Unidos. O instrumento jurídico internacional serve para instituir garantias legais para proteger o acesso e direitos sobre tecnologias de ponta de um país ou empresa em parcerias internacionais.

Como cerca de 80% de todos os foguetes e satélites produzidos no mundo possuem tecnologias norte-americanas –incluindo os equipamentos da SpaceX e da Boeing–, a falta de um acordo com os norte-americanos inviabiliza a parceria brasileira com praticamente qualquer empresa ou governo que use tecnologia dos EUA.

O esboço do acordo original, enviado para o Congresso Nacional em 2000, quando começou a aproximação com a Ucrânia, não havia sido aprovado até 2016, quando foi retirado da pauta a pedido do governo.

Melhor localização geográfica do mundo

No ano passado, o governo brasileiro enviou uma contraproposta para o governo norte-americano. Ainda não houve resposta. Caso os EUA aceitem a proposta, ela tem de ser aprovada pelo Congresso de lá e, depois, ser aprovada no Congresso Nacional.

Em dezembro, o ministro da Defesa brasileiro, Raul Jungmann, esteve nos Estados Unidos para tratar do acordo com o governo norte-americano. “Existe espaço para reduzirmos as diferenças e desacordos na proposta”, afirmou Jungmann ao portal norte-americano especializado na área de Defesa “Defense News” na ocasião.

“É muito importante para ambos os lados, Alcântara é considerada a melhor base de lançamento do mundo em termos geográficos”, disse ao confirmar que a proposta brasileira está em análise no Pentágono.

Base pode render até US$ 1,5 bilhão para o Brasil

Antes, em abril, Jungmann havia conhecido o CLA no Maranhão. “Dado o mercado hoje e o valor de um lançamento, que pode girar de US$ 30 milhões a US$ 120 milhões (de R$ 87 milhões a R$ 390 milhões), nós temos condições aqui de gerar recursos da ordem de US$ 1,2 bilhão a US$ 1,5 bilhão (de R$ 3,9 bilhões a R$ 4,85 bilhões) ao ano para o Brasil”, afirmou durante a visita.

O ministro também falou que poderá haver parcerias com outros países para a expansão do projeto em Alcântara. “Rússia, França, Israel e Estados Unidos já demonstraram interesse. Também garantiremos a participação de empresas e órgãos nacionais”, disse.

Agência espacial será reformulada

No início do mês, o presidente Michel Temer publicou um decreto criando o CDPEB (Comitê de Desenvolvimento do Programa Espacial Brasileiro). O colegiado, que terá prazo de 360 dias para concluir os seus trabalhos, terá como objetivos fixar, por meio de resoluções, diretrizes e metas para a potencialização do Programa Espacial Brasileiro e supervisionar a execução das medidas propostas.

De acordo com o major-brigadeiro Aguiar, esse é o primeiro passo de uma reformulação que visa fortalecer o PEB (Programa Espacial Brasileiro). “Acredito que até março, a AEB [Agência Espacial Brasileira] será vinculada diretamente à Casa Civil da Presidência da República.

Hoje, a AEB está subordinada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações.” A Casa Civil não confirmou nem negou a mudança de estrutura na AEB.

Gostou desse artigo? Compartilhe com seus amigos nas suas redes sociais, seja engenheiro, arquiteto ou simpatizante! Vamos fazer chegar ao máximo de pessoas possível! Conhecimento nunca é demais e com conhecimento poderemos mudar a vida de outras pessoas e melhorar o mundo!

Quer receber mais notícias como essa? Cadastre-se neste site (aqui ao lado) e receba as novidades!

Tem dúvidas, críticas, sugestões? Divida comigo e me ajude a melhorar esse blog! Faça seu comentário!

Fontes:

  • http://www.defesanet.com.br/space/noticia/28492/Brasil-tenta-parceria-com-SpaceX-e-Boeing-para-lancar-foguetes-de-Alcantara/
  • https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/canaltech/brasil-tenta-parceria-com-spacex-e-boeing-para-lancar-foguetes-ate-2021,cb098742ac524155721361a5a672b0fd85gre0x6.html
  • http://brazilianspace.blogspot.co.uk/2018/01/acordo-boeing-embraer-deve-viabilizar.html
Anúncios