Conhecer, observar e rastrear várias espécies de animais pode ser bastante difícil para os pesquisadores. Às vezes, as criaturas são previsíveis, enquanto outras vezes elas podem aparecer nos lugares mais inesperados. Isso parece ser o caso de uma super colônia recém-descoberta de pinguins Adélie que, graças ao gigante tamanho do grupo, é possível ser visto do espaço e é fruto de um estudo publicado na revista Nature.

Cientistas descobriram um enorme grupo de pinguins-de-adélia (Pygoscelis adeliae) no ponto mais ao norte da península da Antártida. As mais de 1,5 milhão de aves foram notadas pela primeira vez quando grandes manchas causadas por seus excrementos apareceram em imagens feitas a partir do espaço. Os animais estão concentrados em um arquipélago rochoso, as Ilhas Danger, ponto próximo à América do Sul.

“É um caso clássico em que se acha algo onde ninguém estava olhando. As Ilhas Danger são de difícil acesso, então as pessoas não tentavam muito chegar lá”, disse Tom Hart, da Universidade de Oxford, do Reino Unido, à BBC News.

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Os pesquisadores usaram um algoritmo para buscar em imagens de satélite possíveis locais em que provavelmente haveria atividade de pinguins. As imagens foram coletadas pelo programa Landsat, uma iniciativa da agência espacial americana, a Nasa, e da agência de pesquisa geológica dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), lançada no início dos 1970 e em uso até hoje.

O Landsat não gera imagens de alta resolução. Por isso, quando o sistema criado pelos pesquisadores identificou possíveis colônias, foi necessário confirmar se elas de fato existiam com imagens mais detalhadas. “O tamanho do que encontramos nos deixou sem fôlego”, disse Heather Lynch, da Universidade Stony Brook, dos Estados Unidos.

“Pensamos: ‘Uau! Se o que estamos vendo é verdade, essas são as maiores colônias de pinguins-de-adélia do mundo, e valerá a pena mandar uma expedição para contá-los adequadamente.”

Mas, como diz o nome do arquipélago – danger significa “perigo” em inglês –, estas são ilhas remotas. Mesmo no verão, o oceano que as cerca é repleto de gelo espesso, algo que os navios buscam evitar. No entanto, em dezembro de 2015, uma equipe científica conseguiu chegar a elas e começar a contagem. Uma das formas mais eficientes de fazer isso foi usar drones para sobrevoar as aves e os locais onde formam seus ninhos para criar um enorme mosaico de imagens.

“Os drones permitem que você mapeie toda uma ilha, fazendo uma foto por segundo. Depois, você pode juntar tudo para ver o território completo em duas e três dimensões”, explicou Hanumant Singh, da Univesidade Northeastern, dos Estados Unidos.

Uma vez mais, programas de computador foram usados, desta vez para contar os pinguins. A pesquisa revelou que, nas Ilhas Danger, haviam 751.527 pares de pinguins-de-adélia, que habitam a terceira e quarta maiores colônias do mundo desta espécie.

O resultado desse trabalho é de grande importância, porque o recente declínio nas populações desses animais registrado em outros locais da península, especialmente no seu lado oeste, não parece ter ocorrido no arquipélago.

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Os cientistas suspeitam que o declínio esteja ligado à redução do gelo no mar, que é um importante habitat para o krill, um pequeno crustáceo que é crucial na dieta dos pinguins.

“No oeste da península da Antártida, as populações de pinguins-de-adélia e de pinguins-de-barbicha (Pygoscelis antarcticus) estão encolhendo rapidamente, enquanto a de pinguins-gentoo (Pygoscelis papua) está aumentando”, disse Hart.

“É difícil saber as causas. Claramente, as mudanças climáticas e redução do gelo e do krill têm um papel nisso, mas, por haver menos gelo no mar, navios, especialmente os pesqueiros, conseguem chegar até ali, o que pode agravar o problema.”

O cientista explica que, no passado, foi feita uma comparação entre a península da Antártida com locais como a Ilha Elefante (mais ao norte). “Finalmente conseguir chegar nas Ilhas Danger e contar os pinguins nos mostrou que as populações mais robustas ficam onde o gelo está intacto”, explicou Hart.

Lynch acrescentou ser importante destacar que essas ilhas estão em meio a uma série de áreas de proteção marinha que estão sendo propostas. “Não sabemos se elas vão fazer parte disso ou não, mas ao menos agora as pessoas saberão o quão importante é essa área”, disse a pesquisadora.

Peter Fretwell, da equipe britânica de pesquisa na Antártida, conhece a equipe que realizou esse estudo, mas não fez parte da iniciativa. Ele também recorre a imagens de satélite para contar animais reunidos em grupos. “Apesar de termos tecnologias avançadas, ainda há cantos remotos do mundo os quais conhecemos muito pouco – normalmente, porque é extremamente difícil chegar até eles”, disse Fretwell.

“Satélites modernos são ferramentas fantásticas para explorar e estudar esses locais de difícil acesso. Tenho certeza que muitas outras descobertas serão feitas usando esses nossos ‘olhos no céu’.”

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Fontes:

  • https://didyouknowwebsite.com/2018/03/04/scientists-discover-penguin-super-colony-so-large-you-can-see-it-from-space/
  • https://www.nature.com/articles/s41598-018-22313-w
  • http://www.bbc.co.uk/news/science-environment-43250744
  • http://www.dailymail.co.uk/sciencetech/article-5453941/Supercolony-1-5-million-penguins-Antarctic-islands.html
  • http://bgr.com/2018/03/02/penguin-super-colony-antarctic-peninsula/

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